Diálogos emparelhados com LLMs: a concordância com as opiniões atuais intensifica a radicalização mais do que a imposição de novas convicções
Os autores do preprint arXiv:2609.38296 simularam uma conversa entre um modelo-alvo, que interpreta uma persona humana, e um agente influenciador que procura deslocar as suas atitudes para um polo extremo. Os dois cenários — reforçar uma opinião já existente e promover uma opinião antes secundária — produziram mudanças nas escalas afetivas e comportamentais, embora o primeiro tenha sido mais consistente.

O que os autores modelaram
Foi publicado no arXiv o preprint «AI Agents are Vulnerable to Radicalization», com o número arXiv:2609.38296. Os autores são Ozgur Can Seckin, Shalmoli Ghosh, Alessandro Flammini, Kristina Lerman, Maria Elizabeth Grabe e Filippo Menczer. Submeteram o trabalho em 29 de setembro de 2026.

O estudo envolve dois agentes:
- o modelo de linguagem-alvo representa uma persona humana com base em atributos demográficos e psicológicos;
- o modelo-agente influenciador procura tornar mais extremas as crenças do agente-alvo.
Os autores estudam a radicalização em diálogos entre pares. Critério prático: ter em conta que a experiência foi realizada com agentes LLM.
Ressonância versus persuasão
A ressonância reforça uma crença que o agente-alvo já tinha. A persuasão promove uma atitude que o agente-alvo inicialmente considerava pouco importante. Ambos os mecanismos radicalizaram o agente-alvo segundo métricas afetivas e comportamentais.
| Mecanismo | O que faz | Resultado |
|---|---|---|
| Ressonância | Reforça uma crença que o agente já tinha | Produz efeitos consistentemente mais fortes |
| Persuasão | Promove uma atitude pouco importante para o agente | Radicaliza, mas menos do que a ressonância |
A ressonância também se estendeu a crenças relacionadas. Critério prático: ao avaliar os riscos do diálogo, deve dar-se prioridade à correspondência entre as mensagens e as opiniões atuais do agente.
Táticas de influência e os seus limites
As diferentes táticas de influência conduziram a diferentes níveis de radicalização. Entre elas estão:
- lisonja;
- afirmações não verificadas.
Não se observou uma ordenação consistente em todas as métricas. Isto significa que a tática influencia o efeito, mas não o explica totalmente.
Critério prático: não reduzir a análise de riscos a técnicas retóricas isoladas. A coerência com as crenças existentes continua a ser um indicador mais fiável.
Riscos para sistemas personalizados e multiagentes
Os autores concluem que os agentes de IA são suscetíveis à radicalização, sobretudo quando as mensagens estão de acordo com as suas crenças existentes. Isto suscita preocupações quanto à:
- vulnerabilidade dos agentes de IA personalizados;
- vulnerabilidade dos ecossistemas de IA multiagentes.
Critério prático: verificar se o sistema reforça as atitudes existentes, e não apenas se introduz novas.
Perguntas mais frequentes
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