Na terça-feira, o mercado de ações americano fechou o dia em alta: os investidores recuperavam as perdas da sessão anterior, e o principal motor foi a virada para cima nos setores de tecnologia e semicondutores. O índice amplo S&P 500 subiu cerca de 0,2%, o Nasdaq, de alta tecnologia, avançou 0,5%, e o Dow Jones aumentou aproximadamente 58 pontos, o que corresponde a 0,1%. Os participantes do mercado adotaram uma postura de espera antes da publicação do balanço trimestral da Nvidia, que deve sair após o fechamento do mercado na quarta-feira.

Chips recuperam perdas
As ações dos fabricantes de chips se recuperaram após a liquidação de segunda-feira, quando o S&P 500 perdeu 0,28%, o Nasdaq — 0,76%, embora o Dow tenha fechado então em alta de 0,26%. Desta vez, as cotações da Nvidia saltaram 2,3% na véspera do relatório. Antes disso, os papéis da empresa caíram por sete sessões consecutivas — a pior sequência para a Nvidia desde 2022.
Os traders precificam nas opções um movimento das ações da Nvidia de 5,4% imediatamente após a publicação dos resultados. Isso corresponde a uma variação de capitalização de mercado de aproximadamente US$ 280 bilhões. No entanto, essa faixa é visivelmente mais modesta do que a oscilação média de 7,4% geralmente observada nos dias de divulgação de resultados da Nvidia nos últimos 12 trimestres. Desde o início de 2026, as ações da empresa subiram 11,7%, o que quase coincide com a alta de 11,8% do S&P 500.
Não foi apenas a Nvidia que chamou a atenção: Micron e Advanced Micro Devices avançaram cerca de 3%, Intel — mais de 2%, Western Digital — acima de 3%. O ETF do setor iShares Semiconductor advanced subiu mais de 2%. Analistas da Raymond James elevaram a recomendação da AMD, o que adicionou otimismo ao setor.
Os investidores também avaliarão atentamente não apenas a receita e o lucro da Nvidia, mas também a projeção de receitas, a dinâmica das margens, a demanda por chips e os planos dos grandes provedores de nuvem quanto a despesas de capital.

Contexto macroeconômico: rendimentos, petróleo e consumidores
O rendimento dos títulos do Tesouro americano de dez anos caiu para cerca de 4,66%. No dia anterior, durante a liquidação, ele chegou a subir para quase 4,74%. Um dos fatores que aliviaram a pressão na ponta longa da curva foram as notícias de que o Departamento do Tesouro pode usar sua Conta Geral — quase US$ 1 trilhão — para recomprar títulos.
Os preços do petróleo caíram de forma acentuada: os futuros do West Texas Intermediate recuaram mais de 3% e ficaram na casa dos US$ 82 por barril. O Brent era negociado perto de US$ 89. Os traders avaliaram que as sanções americanas contra o Irã dificilmente interromperão seriamente o fornecimento de matéria-prima, embora os riscos para a navegação perto do Estreito de Ormuz permaneçam. O índice do dólar caiu 0,1%, e o ouro era negociado perto de US$ 4.685 por onça.
Os dados divulgados na terça-feira mostraram que o índice de confiança do consumidor do Conference Board caiu em agosto para 89,4 pontos, ante os revisados 90,2 em julho — o nível mais baixo em sete meses. Ao mesmo tempo, o índice da situação atual subiu 6,8 pontos, para 121,2, enquanto o índice de expectativas, por outro lado, perdeu 5,8 pontos e ficou em 68,2. Segundo Dana Peterson, representante do Conference Board, a confiança do consumidor enfraqueceu moderadamente pelo segundo mês consecutivo.
Outra estatística veio fraca no mercado imobiliário: as vendas de casas novas em julho caíram 10,5% e totalizaram 607 mil em termos anualizados. A oferta de imóveis subiu para 9,6 meses, e o preço mediano caiu 2,3% em comparação com junho — para US$ 393,8 mil.
Os investidores aguardam a publicação do relatório de julho sobre gastos pessoais de consumo (PCE), que sai na quarta-feira. Segundo pesquisa da LSEG, o mercado precifica apenas um aumento de juros de 25 pontos-base até o fim do ano. Na sexta-feira, em Jackson Hole, discursará o presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, e sua retórica pode dar pistas sobre a política monetária futura.
Varejistas decepcionam
Os papéis da Dick's Sporting Goods despencaram mais de 20% depois que a empresa reduziu suas projeções anuais. A receita trimestral foi de US$ 5,59 bilhões, ante os US$ 5,65 bilhões esperados, e o lucro ajustado por ação foi de US$ 3,53, contra o consenso de US$ 3,76. A varejista piorou a projeção anual de lucro para US$ 11–12 por ação, ante os anteriores US$ 13,50–14,50, e a receita é esperada na faixa de US$ 21,9–22,2 bilhões. A empresa citou excesso de estoques, descontos agressivos e demanda fraca na Foot Locker. O fundador Ed Stack destacou que houve menos novos lançamentos no segundo trimestre.
Nesse contexto, as ações da Nike também perderam mais de 3%. Apesar disso, o quadro geral no mercado permaneceu positivo: o número de ações em alta superou o de ações em queda tanto na NYSE quanto na Nasdaq. Os investidores, ao que parece, decidiram que a queda de segunda-feira foi exagerada e se concentraram na expectativa do principal evento da semana — o relatório da Nvidia, que pode definir o tom para todo o setor de tecnologia.



