Toyota estima investir anualmente uma quantia avultada na robotização das fábricas
A partir de 2028, a automação das fábricas da Toyota, das empresas do grupo e dos principais fornecedores poderá abranger cerca de 400 mil robôs e exigir investimentos anuais significativos, embora o calendário e o montante total das despesas ainda não estejam definidos. O artigo analisa a aplicação da IA física na produção e os desafios a superar: desde a fiabilidade dos equipamentos até à transferência da aprendizagem da simulação para as condições reais.

Estimativa dos custos e os seus limites
A Toyota Motor estima uma necessidade potencial de cerca de 400 000 robôs e um investimento anual de vários milhares de milhões de euros. As despesas poderão começar em 2028 e abranger as fábricas da Toyota, as empresas do grupo e os principais fornecedores.
Segundo a Reuters, a Toyota discutiu possíveis investimentos com investidores no início de setembro. A empresa não informou se irá concretizar todo o investimento previsto nem durante quantos anos manterá as despesas nesse nível.
Esta é uma estimativa da dimensão potencial do investimento, não uma confirmação de que será totalmente implementado. Até ao momento, não foi definido um prazo para as despesas após 2028.
Que robôs e tecnologias estão incluídos na estimativa
A estimativa de 400 000 robôs inclui a substituição de máquinas existentes e a instalação de novas. Abrange robôs humanoides e não humanoides, sistemas industriais e logística automatizada.
A Toyota chama «IA física» às tecnologias que permitem aos robôs perceber o ambiente através de sensores. Também podem aprender, adaptar as suas ações à situação e trabalhar de forma autónoma.

Por isso, o número não deve ser interpretado diretamente como a quantidade de novos robôs industriais. Abrange diferentes tipos de equipamento e organizações para além da própria Toyota.
O que a Toyota já está a implementar e a desenvolver
Na linha de montagem de pistões da fábrica Toyota Kamigo, três operadores foram substituídos pela automação total. A linha começou a funcionar com robôs em janeiro de 2025, de acordo com o relatório integrado da Toyota de 2025.
O Toyota KumiPro utiliza câmaras para reconhecer e pegar componentes que não estão posicionados com precisão. O robô já está a trabalhar nas linhas de produção da Toyota Motor East Japan.
Numa demonstração, um sistema de controlo com feedback de força compensou os erros das câmaras. Ajudou a instalar componentes em espaços estreitos.
A ELEY Toyota está a ser desenvolvida para tarefas que exigem contacto físico com objetos e com o ambiente. O robô tem dois braços humanoides e uma base móvel omnidirecional.
A ELEY foi concebida para lidar com forças externas que surgem quando um objeto não está onde a máquina esperava. A Toyota planeia testá-la em condições mais próximas das instalações de produção.
Como a Toyota treina robôs
A Toyota treina os humanoides através de aprendizagem por reforço em simulação e, em seguida, transfere os comportamentos aprendidos para robôs físicos. Os investigadores executam milhares de instâncias simuladas em paralelo.
Os comportamentos aprendidos em simulação nem sempre são transferidos diretamente para o equipamento. A Toyota aponta diferenças nas leituras dos sensores, no atrito do piso e no funcionamento dos atuadores.
Durante o treino, os investigadores alteram estas condições e utilizam dados de robôs físicos. Desta forma, a Toyota procura reduzir a diferença entre a simulação e o ambiente real.
O Toyota Research Institute colabora com a Boston Dynamics no desenvolvimento de sistemas de controlo por IA para o humanoide Atlas. Em 2025, o Atlas demonstrou uma sequência de movimentos que incluía caminhar, levantar objetos, separá-los e embalá-los, utilizando um único Large Behavior Model.
As competências do robô foram acrescentadas através de demonstrações humanas. Isto mostra que o treino e o controlo fazem parte do desenvolvimento, a par do equipamento mecânico.
O que limita a expansão
A Toyota assinala que os robôs ainda precisam de melhorar a fiabilidade durante períodos de funcionamento prolongados e a repetibilidade do posicionamento preciso. A empresa também precisa de uma infraestrutura de dados para o treino.
Para a ELEY, a Toyota pretende utilizar tentativas bem-sucedidas e falhadas como dados de treino. Um critério prático para avaliar o progresso não é apenas o número de robôs, mas também a capacidade dos sistemas para funcionarem de forma estável em condições de produção.
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