Meta ignorou anúncio de serviço de IA para “despir” mulheres políticas

1 setembro 20265 visualizações

Nos anúncios das redes sociais da Meta circulavam anúncios do aplicativo Kromix, que gerava vídeos deepfake explícitos com rostos de políticos americanos, sendo que um dos vídeos continha conteúdo pornográfico com um sósia de um político proeminente. As exibições eram direcionadas ao público masculino, e o anúncio só foi removido após solicitação de jornalistas.

Meta ignorou anúncio de serviço de IA para “despir” mulheres políticas

O que aconteceu

A Meta permitiu a exibição de anúncios que promovem a geração de deepfakes explícitos com mulheres políticas. Trata-se da ferramenta Kromix, que se autodenomina um "AI image styler". Em um dos vídeos, ao fundo da bandeira dos EUA, aparecia uma mulher parecida com uma conhecida política americana, com a legenda "What if she moved?" — após uma piscadela, a câmera cortava para um vídeo pornográfico com o mesmo rosto. O anúncio era acompanhado por uma mensagem de voz que afirmava que o serviço "não tem restrições", que "todos os personagens são pessoas reais" e que é "uma IA realmente usada por homens".

Apesar das regras da Meta que proíbem conteúdo sexual e a promoção de aplicativos de nudificação, a campanha funcionou por um tempo. O vídeo foi descoberto por pesquisadores do Tech Transparency Project. De acordo com a biblioteca de anúncios da Meta, a campanha era direcionada apenas a homens e usava o slogan "Unleash Next-gen AI Magic". No total, 32 anúncios estavam vinculados à conta, exibidos entre 5 e 46 horas; a maioria não passou de dez impressões.

O que se sabe sobre o aplicativo

O Kromix ainda estava disponível na App Store quando os jornalistas entraram em contato. A versão paga permitia o upload de fotos para cenários com nomes perturbadores como "bedroom rape" e "Disney love". Dentro do app também havia vídeos pornográficos gerados por IA com mulheres vestidas de Homem-Aranha. Os desenvolvedores não responderam ao pedido de comentário.

A Apple, por sua vez, já enfrentou críticas por causa de ferramentas de deepfake. O procurador distrital de São Francisco enviou uma carta à empresa exigindo o bloqueio de 13 aplicativos específicos e o fim da "cumplicidade" na venda de imagens falsas explícitas.

Como isso passou pela moderação

De acordo com a documentação da Meta, cada anúncio passa por uma verificação automática antes da publicação. Mas, no caso do Kromix, os anúncios usavam capas com praia, montanhas e cachoeiras — o vídeo pornográfico só aparecia após o clique. A Meta confirmou que está ciente dessa tática. Além disso, a página do anúncio foi criada em 3 de agosto e não tinha seguidores — o que já parecia suspeito por si só.

A moderação também não notou a narração, em que o serviço se promovia diretamente como uma ferramenta sem restrições. No fim, o anúncio só foi removido após o contato da WIRED.

Por que não é um caso isolado

Políticos, especialmente mulheres, continuam sendo alvos de deepfakes não consensuais há anos. Retratos oficiais e gravações de coletivas de imprensa viraram matéria-prima para ferramentas acessíveis a qualquer usuário da internet, observa Benjamin Schultz, do American Sunlight Project. Em janeiro, cerca de três milhões de imagens sexualizadas foram criadas via Grok; autoridades na Suécia, na Inglaterra e na Irlanda do Norte foram alvos.

A Meta, ao que parece, tenta combater o problema depois que pesquisadores encontram milhares de anúncios desse tipo. A empresa afirma que, apenas de novembro a janeiro, removeu 344.000 desses anúncios no Facebook e no Instagram, além de ter aberto um processo contra pelo menos uma empresa que promovia serviços de nudificação. Cindy Southworth, da Meta, classificou essas ferramentas como "repugnantes" e falou sobre uma nova tecnologia de IA para bloqueá-las e sobre o compartilhamento de dados com outras plataformas.

O que isso significa

O anúncio do Kromix em si teve alcance quase nulo — a maioria dos anúncios foi exibida menos de dez vezes. Mas o fato em si é importante: a moderação automática da Meta novamente deixou passar conteúdo que viola suas próprias regras. Enquanto as verificações dependerem das capas e não analisarem nem o conteúdo do vídeo nem a trilha sonora, campanhas assim vão voltar — talvez com cenários ainda mais agressivos.

Perguntas mais frequentes

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