A Anthropic anunciou a implementação de marcas d'água invisíveis nas respostas do Claude na semana passada. A empresa explicou isso pelos requisitos da Lei de IA da UE: em breve, todo o conteúdo sintético de grandes modelos deve ser marcado de forma legível por máquina. No entanto, os programadores não demoraram a reagir — as primeiras formas de contornar o sistema surgiram no mesmo dia.
O que é a marcação invisível e por que é difícil notá-la
A marca d'água em texto não é uma imagem nem um caractere oculto. A Anthropic usa a técnica SynthID, desenvolvida pelo Google. O modelo escolhe palavras e frases de forma que a pessoa leia o texto normalmente, mas um algoritmo especial possa determinar que ele foi escrito por uma rede neural. O significado e a qualidade das respostas não são afetados.
Na prática, a marcação é incorporada à própria estrutura do texto. Removê-la manualmente é impossível — é preciso mudar as formulações, a ordem das frases ou todo o estilo.

Como os programadores removem a marcação
O exemplo mais notório é o código de Guillaume Meyer. Ele apareceu no GitHub quatro horas após o anúncio da Anthropic e se espalhou rapidamente: mais de 20.000 favoritos no X, mais de cem contribuidores. A ideia é passar o texto do Claude por outro modelo de linguagem sem marcas d'água. Esse modelo reescreve o texto, substituindo palavras por sinônimos e mudando a estrutura — depois disso, o padrão original é destruído.
Outros desenvolvedores usam técnicas semelhantes:
- Eric Hughes montou em 15 minutos um utilitário baseado no Claude que remove caracteres invisíveis, reorganiza frases e insere sinônimos.
- Leon Hlon propôs comprimir a resposta, traduzi-la para um dos dialetos do árabe e depois de volta — esse "pingue-pongue de tradução" também quebra a marcação.
Esses métodos funcionam porque a marca d'água está na escolha exata das palavras. Qualquer reescrita significativa destrói o padrão.
Por que contornam e o que impede que isso seja considerado violação
A motivação dos desenvolvedores é variada. Alguns são fundamentalmente contra a ideia de que todo texto gerado precise ter uma marca oculta. Outros apenas querem testar as próprias habilidades. Já freelancers e criadores de conteúdo procuram os autores dessas soluções diretamente — eles não querem restrições extras ao trabalhar com rascunhos. Além disso, juridicamente, ferramentas independentes estão fora do alcance das proibições: as novas regras da UE preveem multas de até 3% do faturamento para provedores que vendem meios de contornar o sistema, mas não restringem entusiastas.
Wayne Pan, da empresa Haimaker, acredita que ainda não se pode confiar totalmente em nenhum método até que o detector oficial da Anthropic seja lançado. Mas ele integrou a ferramenta de Meyer à sua plataforma, confiando no entendimento do funcionamento do SynthID. O próprio Meyer observa que as marcas d'água são uma solução ruim devido ao risco de falsos positivos e à impossibilidade de distinguir uma edição leve feita com IA de um texto totalmente gerado. Ele admite que usa regularmente o Claude e o Grammarly para processar seus próprios textos.
O que dizem na Anthropic e o que esperar a seguir
Representantes da empresa confirmam: a marcação não afeta o significado nem a legibilidade, e é adicionada apenas para cumprir a lei da UE. Eles estão trabalhando em um serviço de detecção e planejam lançar uma API para que desenvolvedores possam verificar textos. Ao mesmo tempo, na Anthropic reconhecem que, após edição intensa, reformulação ou tradução, a marca d'água pode desaparecer. O sistema de marcação continua sendo aprimorado, então é de se esperar que, com o tempo, os métodos de contorno se tornem menos eficazes.

Por enquanto, a situação parece uma corrida clássica: a Anthropic reforça a marcação, e a comunidade de programadores responde com novos métodos. Para os usuários, isso significa apenas uma coisa — esconder completamente o uso de IA ainda é mais fácil do que parece, mas as formas oficiais de verificação também vão evoluir.



