Negócio que começou a ser comentado em agosto
No final de agosto de 2026, o TechCrunch, citando fontes próprias, informou que a equipe da Gamma está adquirindo a startup de design Lica. O negócio em si não parece um M&A comum, mas sim um movimento estratégico: com base na Lica, será criado um laboratório de pesquisa de design da Gamma, que será liderado pelos fundadores da startup, Priya Kalyanaraman e Purvanshi Mehta.
Curiosamente, as partes já se conheciam muito antes das negociações: Gamma e Lica têm investidores em comum — Accel e South Park Commons. Como explicou Kalyanaraman, o cofundador e CEO da Gamma, Grant Lee, já conversava há muito tempo, e suas visões sobre como tornar a comunicação visual verdadeiramente simples coincidiram. No fim, as conversas evoluíram para um negócio, cujos termos não foram divulgados.

Lica: de capturas de tela a vídeos com a marca
A startup Lica surgiu em 2023. A primeira versão do produto permitia criar apresentações e vídeos curtos sobre um projeto a partir de capturas de tela e gravações de tela — algo como uma forma rápida de compartilhar avanços com a equipe ou o cliente.
Um ano depois, a jovem empresa conseguiu captar US$ 4 milhões da Accel, South Park Commons e Village Global. Foi então que os fundadores revisaram a estratégia: em vez de um construtor universal, a Lica focou nas necessidades do e-commerce. Hoje, suas ferramentas ajudam marcas a produzir vídeos de marketing alinhados ao estilo da marca, sem trabalho manual de design.
Dentro do novo laboratório de P&D
A Gamma não pretende abrir mão do seu foco principal — apresentações. Aliás, a empresa já experimenta a geração de imagens. Mas agora quer ir além e explorar outras formas de comunicação que possam surgir em torno desse formato.
O CEO da Gamma, Grant Lee, destaca que a apresentação continua sendo o cenário-chave hoje, mas, no futuro, é importante repensar a aparência desses materiais, as sensações que eles provocam e como os usuários interagem com eles. Uma das fundadoras da Lica, Purvanshi Mehta, vê a tarefa do laboratório em ajustar a "voz" dos modelos de IA: o sistema deve ser capaz de adaptar o estilo de comunicação e de apresentação aos gostos de um público específico. No futuro, isso pode levar ao surgimento das chamadas apresentações multimodais fluidas, que combinam vídeo, imagens e texto em um único fluxo vivo.

Consolidação no segmento de apresentações
Vale olhar para o negócio também em um contexto mais amplo. O mercado de ferramentas de comunicação visual esquentou consideravelmente: a Gamma captou anteriormente US$ 68 milhões e foi avaliada em US$ 2,1 bilhões. A concorrente Prezent levantou US$ 50 milhões em duas rodadas, e outro player — Presentations.ai — também está no portfólio da Accel. No mesmo mês em que a aquisição da Lica foi divulgada, outro grande player — a OpenAI — comprou a startup NextSlide. Esses eventos indicam uma consolidação da categoria: investidores e empresas correm para ocupar seus lugares em um novo nicho que já não se limita a simples editores de slides.
Para a Gamma, o laboratório construído em torno da equipe da Lica é uma forma de criar sua própria base de pesquisa e não ficar para trás em relação a concorrentes maiores. A questão agora é quais produtos exatamente surgirão dessa iniciativa de P&D e o quanto eles mudarão a noção tradicional de apresentação.



